Marcelo Oliveira –Assessor Chefe de Comunicação da ABPA
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  • 29 | 08 | 2017

    ​Diretor-geral da OMC, governadores e ministros abrem programação do SIAVS


    Críticas ao protecionismo e otimismo sobre recuperação da proteína animal brasileira marcam a programação do 1º dia
    O Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (SIAVS) iniciou na manhã de hoje (29) com palestra do diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo. Em seguida, o presidente executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), entidade promotora do evento, governadores e vices de sete estados e o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, se pronunciaram na cerimônia oficial de abertura.
    O embaixador Roberto Azevêdo tratou das perspectivas do setor agrícola e dos desafios para corrigir distorções no mercado global, como a redução de subsídios e uma maior abertura econômica entre as nações. Ele apontou os impactos de um crescente sentimento antiglobalização no comércio internacional. "Estamos registrando o sexto ano de crescimento abaixo de 3%, algo sem precedentes desde a Segunda Guerra", constatou. Segundo o diretor-geral da OMC, o protecionismo acentua dificuldades socioeconômicas em diversos países. "Obstáculos comerciais não ajudam a resolver os problemas domésticos, como desemprego. A tendência é que cause ainda mais dificuldades", defendeu.
    Entre as medidas de restrição adotadas no setor agrícola que, de acordo com o embaixador, merecem revisão, estão barreiras técnico-sanitárias com valor científico questionável. "A OMC ajuda a definir aspectos referentes à sanidade e ao valor nutricional dos produtos comercializados, e mais de 900 casos de barreiras já foram discutidos nos nossos comitês", contou, dizendo que tanto a organização como o governo brasileiro e de outros países exportadores estão trabalhando para definir pontos de convergência na área.
    Subsídios também foram criticados por Azevêdo, pelo potencial prejudicial ao equilíbrio econômico. "Todas essas formas de controle artificial não são sustentáveis. O produtor tem de ser competitivo, não tem outra alternativa", expressou. Em contraponto, sugeriu um maior estímulo a investimentos em inovação e pesquisa para aumentar a produtividade.
    Ao final de sua exposição, o embaixador respondeu a perguntas do público. Roberto Jaguaribe, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), mediou o painel.
    Cerimônia de abertura reúne autoridades
    Francisco Turra convocou toda a cadeia produtiva a ter uma visão otimista para o futuro e a seguir enfrentando os desafios. “Estamos finalmente superando as turbulências. A qualidade do Brasil é inquestionável. Somos referência global em sanidade e sustentabilidade. O mundo validou a qualidade do nosso produto”, afirmou. Turra também informou que, em agosto, o país deve ultrapassar a casa das 400 mil toneladas de carne de frango exportadas e o patamar de 65 mil toneladas embarcadas de carne suína.
    Ministro da Agricultura, da Pecuária e do Abastecimento, Blairo Maggi resgatou a trajetória de expansão da proteína animal nacional. Recordou que, desde a década de 70, o Brasil saiu da posição de importador para grande exportador de alimentos. “Nosso próximo passo é agregar valor, deixando de ser vendedor de commodities para chegar às gôndolas dos supermercados pelo mundo afora”, disse. Também destacou o trabalho realizado internacionalmente para reestabelecer a imagem do país após a Operação Carne Fraca. “Foi bom ter acontecido esse episódio, pois nos fez avançar e o mercado nos olhar de forma diferente. Aproveitamos a oportunidade para melhorar o que já era bom”, resumiu o ministro.
    Durante a cerimônia, ainda foi entregue o Prêmio Lauriston Schmidt a três personalidades que se ressaltaram por relevantes serviços prestados à causa do setor. Receberam o reconhecimento o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (categoria política); o presidente da São Salvador Alimentos, José Carlos de Souza Garrote (categoria empresarial); e o coordenador de Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo, Fernando Buchala (categoria técnica).
    Também participaram da abertura do SIAVS os governadores Geraldo Alckmin (São Paulo), Marco Perillo (Goiás), Raimundo Colombo (Santa Catarina), Reinaldo Azambuja (Mato Grosso do Sul), Paulo Hartung (Espírito Santo), o vice-governador José Paulo Dornelles Cairoli (Rio Grande do Sul), a governadora em exercício Maria Aparecida Borghetti (Paraná), o senador Cidinho Campos, o deputado federal Jerônimo Goergen, o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Agricultura (Conseagri), Ernani Polo, o secretário da Agricultura de Minas Gerais, Pedro Leitão, o presidente do Conselho Diretivo da ABPA, José Carlos Zanchetta, e o presidente do Conselho Consultivo da ABPA, Leomar Somensi.
    Completaram a programação do primeiro dia do salão o Simpósio Ovosite: Desafios na Produção e Comercialização de Ovos, com painéis sobre vendas no varejo, agregação de valor, impacto econômico da sanidade e qualidade e experiências exitosas de marketing. A primeira etapa do Projeto Produtor de Frango apresentou boas práticas e produtividade, e foi realizado ainda o Simpósio ABCS: Tendências e Perspectivas da Suinocultura para a Próxima Década.
     
    Debates de CEOs movimentará quarta-feira
    Um dos destaques da programação de quarta-feira (30) é o debate de CEOs sobre inovação de processos, agregação de valor e internacionalização como fatores de competitividade. O encontro reunirá três das principais lideranças da agroindústria brasileira: Mário Lanznaster, presidente da Aurora Alimentos; Gilberto Tomazoni, presidente global deoperações da JBS e Alexandre Moreira Martins de Almeida, vice-presidente Brasil da BRF.
    A programação do SIAVS vai até quinta-feira (31), com palestras nos turnos da manhã e tarde, no Auditório Celso Furtado e em outras seis salas do Anhembi Parque. Nos três dias de evento, mais de 80 palestrantes e mediadores do Brasil e outros países da América Latina, Estados Unidos e Europa debaterão tendências e desafios da avicultura e da suinocultura, em áreas como competitividade e inovação, marketing e sustentabilidade, logística e abastecimento de grão, sanidade e novas tendências de consumo. Concomitantemente, ocorre uma feira com 151 empresas expositoras, nacionais e do exterior. A expectativa dos organizadores é que 12 mil pessoas de 60 países passem pelos locais. 

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